Poucas coisas geram mais desconfiança na operação de um evento do que um painel que mostra um número e o relatório da bilheteria mostrar outro. Assim que os dois não batem, a reação é sempre a mesma: "então o painel está errado". Mas na maioria dos casos que a gente acompanha, os dois números estão certos — eles só estão medindo coisas ligeiramente diferentes, ou o mesmo evento em momentos diferentes.

Entender essas causas resolve 90% das divergências. Vamos às mais comuns.

1. Horário de extração diferente

Essa é a campeã. O painel atualiza continuamente — ele é uma foto ao vivo. O relatório manual da bilheteria é uma foto do minuto em que foi exportado. Se alguém extraiu o relatório às 22h de quarta e comparou com o painel às 10h de quinta, a diferença são as vendas que entraram no meio — vendas reais.

Antes de procurar erro, pergunte: a que horas cada número foi tirado? Metade das "divergências" morre nessa pergunta.

A prova é simples: pegue os IDs das compras que aparecem no painel e não no relatório. Se elas existem na bilheteria e têm horário posterior à extração, o caso está encerrado.

2. Cortesia contada como venda

Cortesias e ingressos pagos costumam sair pelo mesmo canal. Se o relatório soma tudo como "ingressos", o número infla. Um painel que separa cortesia de venda paga mostra um total menor — e mais correto — de receita real. Não é divergência: é um critério melhor.

3. Reembolso e cancelamento no dia errado

Um ingresso vendido em janeiro e reembolsado em março: esse reembolso pertence a qual mês? Se o sistema joga o valor negativo em março, o faturamento de janeiro fica inflado e o de março, distorcido. A forma correta de reconciliar é por cohort de compra: o cancelamento volta para o mês (e para a campanha) da compra original. Assim cada período reflete o que realmente aconteceu com aquelas vendas.

4. Bruto x líquido

"Vendemos R$ 400 mil" — bruto ou líquido? Um relatório mostra o bruto (tudo que entrou), outro já desconta cancelamentos e reembolsos. Comparar bruto de um lado com líquido do outro sempre dá diferença. A régua tem que ser a mesma nos dois.

5. Fuso horário

Parece detalhe, mas quebra relatório. Se a API entrega a data em horário local e o sistema converte para outro fuso, uma venda da meia-noite pode "pular" de dia — e o total diário deixa de bater. O correto é tratar a data no mesmo fuso em que a bilheteria a exibe.


Como fazer o número fechar — de verdade

Reconciliar não é sorte. É método:

  • Sempre com data e hora de referência. Toda comparação entre painel e relatório precisa considerar quando cada um foi extraído.
  • Mesmo critério dos dois lados. Líquido com líquido, cortesia separada em ambos.
  • Reconciliação por cohort. Cancelamento e reembolso atribuídos à compra original, não ao dia em que ocorreram.
  • Alerta de divergência. Em vez de descobrir o problema quando o cliente reclama, o ideal é o sistema avisar sozinho quando algo foge da tolerância.

É exatamente esse o trabalho que a minhaDash faz por baixo: reconcilia com o relatório da bilheteria no mesmo critério, separa cortesia e reembolso, trata o fuso certo e avisa quando algo diverge. Na prática, o número fecha até o centavo — e você para de perder tempo defendendo planilha.

Resumo

Número que não bate quase nunca é erro de sistema — é diferença de horário, de critério ou de tratamento de cortesia e reembolso. Padronize a régua, reconcilie por cohort de compra e sempre compare com data e hora. Quando o número fecha, ele volta a servir para o que importa: decidir.

Um número em que a sua operação confia.

A minhaDash reconcilia com a bilheteria, separa cortesia e reembolso e avisa quando algo diverge. Veja funcionando com dados reais.

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