"Nosso evento faturou R$ 400 mil." Frase bonita — e quase sempre errada. Dentro desses R$ 400 mil costuma ter cortesia contada como venda, reembolso que ninguém abateu e cancelamento que continua no número. O resultado é um faturamento inflado, uma margem que não existe e decisões tomadas em cima de um dado que não fecha.

Enxergar a receita real não é firula de contador. É o que separa saber se o evento deu lucro de achar que deu.

Os três vilões do número inflado

Cortesia contada como venda

Cortesia é ingresso que saiu sem pagamento — imprensa, permutas, convidados. Se ela entra no mesmo balde das vendas, dois números quebram: o faturamento (que sobe sem dinheiro real) e o ticket médio (que despenca, porque você dividiu a receita por mais ingressos do que de fato venderam). Cortesia precisa ser contada à parte.

Reembolso

Reembolso é dinheiro que voltou para o cliente. Se o relatório mostra só o que entrou e ignora o que saiu, o caixa que você enxerga não é o caixa que você tem.

Cancelamento

Cancelamento é a venda desfeita — o pedido deixou de existir. Contar como faturamento uma compra que foi cancelada é contar dinheiro que nunca vai chegar.

Bruto é quanto entrou. Líquido é quanto sobrou depois de cancelar e reembolsar. Receita real é o líquido, com a cortesia fora. É esse número que decide.

Por que a régua precisa ser a mesma

Boa parte das "divergências" entre relatórios nasce aqui: um lado mostra o bruto, o outro mostra o líquido, alguém somou a cortesia e ninguém avisou. Comparar números com critérios diferentes sempre dá briga. Antes de discutir se o dado está certo, alinhe o critério — bruto com bruto, líquido com líquido, cortesia separada nos dois. (Falamos disso em detalhe em por que os números não batem com a bilheteria.)

O que você passa a enxergar quando separa tudo

  • Faturamento bruto e líquido lado a lado, sem misturar.
  • Receita real, com a cortesia fora da conta.
  • Taxa de reembolso e de cancelamento — sinais de saúde da operação, não só valores.
  • Ticket médio de verdade, calculado só sobre quem pagou.
Na prática

A minhaDash separa cortesia de venda paga automaticamente, mostra reembolso e cancelamento com taxa e valor, e reconcilia tudo com o relatório da bilheteria no mesmo critério. O número que você olha é o número que fecha.

Resumo

Faturamento bruto é vaidade; receita real é decisão. Tire a cortesia da conta de vendas, abata reembolso e cancelamento, e padronize a régua bruto/líquido. Só assim você sabe a margem de verdade do evento — e para de comemorar (ou se assustar) com um número que não existe.

Veja a receita real do seu evento.

Cortesia, reembolso e cancelamento separados, faturamento bruto e líquido lado a lado. Veja funcionando com dados reais.

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